terça-feira, 27 de março de 2012

PROCURADOR PEDE AO SUPREMO ABERTURA DE INQUÉRITO CONTRA O SENADOR DEMÓSTENES TORRES

Parlamentares em encontro com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel (Foto: Débora Santos / G1)

Parlamentares em encontro com o procurador-geralda República, Roberto Gurgel (Foto: Débora Santos / G1)

Após reunião nesta terça (27) com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, parlamentares da Frente de Combate à Corrupção afirmaram que Gurgel anunciou o envio ao Supremo Tribunal Federal (STF) de um pedido de abertura de inquérito para apurar a relação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e outros deputados e senadores com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Cachoeira foi preso em fevereiro pela Polícia Federal sob suspeita de chefiar uma quadrilha que explora o jogo ilegal.

Segundo a assessoria da Procuradoria, Gurgel deu a informação sobre o pedido de abertura de inquérito em reunião com os parlamentares da frente na tarde desta terça. De acordo com a Procuradoria, há "indícios" de envolvimento de pessoas com foro privilegiado com o jogo ilegal. Não há prazo para que o pedido seja remetido ao Supremo.

Após o envio, o pedido de abertura de inquérito será distribuído a um ministro do STF que decidirá sobre a abertura ou não de inquérito.

"Nós pedimos, em caso de envolvimento de parlamentares e membros do Congresso Nacional, denúncia ao Supremo Tribunal Federal. Essa providência, por parte do procurador-geral da Repúbliuca, nos foi informada que será tomada", disse Randolfe Rodrigues.

“Ele [Gurgel] está em vias de concluir a análise do material que recebeu e isso já já será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), integrante da frente.

Reportagem de "O Globo" de sexta-feira (23) afirma que gravações telefônicas em poder da PF mostram que o senador pediu R$ 3 mil emprestados e vazou informações de reuniões oficiais para Carlinhos Cachoeira. Cachoeira foi preso pela PF no fim de fevereiro em uma ação contra o jogo ilegal e está em uma prisão federal em Mossoró (RN). O PGR já havia afirmado que, além de Demóstenes, gravações da PF apontam o envolvimento de outras autoridades com foro privilegiado.

O grupo de parlamentares foi recebido por Gurgel e entregou um ofício no qual cobrou "máxima urgência" na avaliação das denúncias. Na semana passada, Gurgel informou que investiga desde 2009 elo de autoridades com jogo ilegal.

Randolfe Rodrigues também afirmou que o PSOL vai entrar com representação nesta quarta-feira (28) no Conselho de Ética do Senado sobre as denúncias contra o senador. Depois de protocolada a representação, caso o senador renuncie estará inelegível por oito anos, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.

Segundo os parlamentares, Roberto Gurgel disse que vai encaminhar à Câmara e ao Senado os autos da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, e o nome dos parlamentares que supostamente teriam ligações com o jogo ilegal.

Afastamento
Nesta terça, em carta ao presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), o senador Demóstenes Torres
pediu afastamento da liderança do partido no Senado.

"A fim de que eu possa acompanhar a evolução dos fatos noticiados nos últimos dias, comunico a Vossa Excelência o meu afastamento da liderança do Democratas no Senado Federal", afirmou Demóstenes Torres no texto da carta (veja ao final desta reportagem).
saiba mais

O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), afirmou nesta terça que, se comprovadas as denúncias, o partido vai "se mover".

"Não é que se abra discussão sobre expulsão, mas qual a gravidade das denúncias? Qual a qualidade das denúncias? O que existe? Se a Procuradoria dispõe de elementos e se os elementos são contundentes, é evidente que o partido irá se mover. O que é preciso é que a Procuradoria apresente os fatos que tem para que o partido e a nação avaliem a gravidade e a qualidade da denúncia", afirmou o líder antes de participar da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Relatório da PF
Nesta segunda, a Corregedoria Parlamentar do Senado pediu à Procuradoria-Geral da República acesso a um relatório da Polícia Federal que contém o teor de conversas entre Demóstenes e Carlinhos Cachoeira. A Justiça Federal negou revogar a preventiva de Cachoeira.

O corregedor do Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB), diz que só poderão ser tomadas providências na Casa depois que os parlamentares tiverem acesso ao material.

Débora Santos Do G1, em Brasília

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